Crônicas da maternidade III

Já perdi a conta de quantas vezes a encaixei em meu peito para mamar. Mas, desta vez, é noite. Estou acomodada na cama, as pernas alongadas e o tronco reto, encostado em almofadas e travesseiros. Recebo-a em meus braços.

Ela começa a mamar. O leite materno, em sua face, parece o néctar dos deuses.

De repente, ela abre os olhos. Os olhos que, de dentro de mim, perscrutaram as minhas entranhas mais profundas. E que agora me olham como ninguém jamais me olhou.

Eu devolvo o olhar e uma sensação de medo e mistério invade o meu corpo: parece que aqueles olhos me conheciam desde tempos remotos. E que sabiam muito sobre mim. Mais do que eu mesma.

Mas como pode ser assim, já que ela é apenas uma recém-nascida?

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Um comentário sobre “Crônicas da maternidade III

  1. Forte, profundo e emocionante. Para quem tem sensibilidade e consegue captar esse mistério. Mata a mâe (eu) de emoção e aí o choro rola solto.

    Parabéns minha filha /agora mãe extremada, adorei! Jornalista escritora e poeta.

    Love u

    bj

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