Ilha do Marajó

Sabe aquela ilha enorme localizada acima do mapa do Brasil? Pois é, ela se chama Marajó, eu estive por lá nesta semana e quero contar um pouquinho deste canto do nosso país. A Ilha do Marajó pertence ao estado do Pará e é o maior arquipélago fluvio-marítimo do mundo, com 2.500 ilhas. Apenas 16 municípios povoam o arquipélago, que contabiliza 400 mil habitantes. Foi este o destino escolhido por mim e meu namorado para a nossa primeira viagem a dois.

Chegamos a Belém e, na capital paraense, descobrimos que saíam duas balsas por dia para o Marajó – uma às 6h30 e outra às 14h30. Pegamos a primeira e, depois de quatro horas vendo só rio e floresta — delícia! –, chegamos ao porto de Camará. Lá, várias vans esperavam os passageiros. Subimos em uma que nos levou até a porta de nossa pousada, em Soure.

Soure tem 20 mil habitantes e muitas ruas esburacadas – tanto de terra quanto de asfalto. Os principais meios de transporte são bicicletas e motos. Nós alugamos uma moto por dois dias e nos surpreendemos com o preço que pagamos. É compreensível em um município de ruas pequenas e desorganizadas: todas são de mão dupla e não é raro que cruzamentos sejam desrespeitados.

No primeiro dia, alugamos duas bikes (ruins, que nos deram uma canseira) e fomos à praia de Barra Velha. Lindíssima, e vazia – claro, estávamos em plena segunda-feira. Fomos atendidos por uma mulher, a Dona Ana, que tinha uma barraca na praia. Muito simpática desde o princípio, a Dona Ana e sua família nos acolheram ao fim do dia dentro da barraca, pois caiu uma chuva torrencial. Pudemos, então, conversar com seu marido, sua filha, e um casal de amigos deles.

Nesse dia, vimos dois arcos-íris. Também conhecemos a casa de Dona Ana e sua família, que ficava perto da praia da Barra Velha. E tivemos nosso primeiro contato com a hospitalidade e a simpatia dos marajoaras, uma marca registrada que se confirmaria nos próximos dias.

Segundo dia no Marajó, fomos de moto conhecer a praia do Pesqueiro, que ficava a uns 10 km da pousada onde estávamos. A praia era mais linda ainda que a do dia anterior, com vasta areia, água transparente e muitas piscinas naturais. Só curtição. No caminho para o Pesqueiro, passamos pela Fazenda São Jerônimo, onde fizemos um passeio no dia seguinte.

O passeio consistia em conhecer uma praia deserta e lindíssima, com piscinas naturais e vegetação tropical; passar pelo mangue, com árvores altíssimas mostrando parte de suas raízes; andar de barco pelo igarapé; e montar em búfalos. Por que búfalos? Ora, a Ilha do Marajó possui o maior rebanho de búfalos do Brasil, são cerca de 400 mil cabeças, ou seja, 1 cabeça por habitante. A culinária marajoara não foge a essa tradição: o “filé marajoara” consiste em carne de búfalo com queijo de búfala. Uma delícia, por sinal.

No último dia, fomos conhecer Salvaterra, município separado de Soure por um rio, o Paracauari. Uma balsa faz o trajeto entre os dois – não há pontes, apesar da distância pequena. Não conseguimos aproveitar muito Salvaterra por conta da chuva, que começou às 15h e não parou mais. Pudemos apenas dar uma olhada na Praia Grande, a mais próxima do centro do vilarejo. Embora bonita, não ganha de Pesqueiro e Barra Velha.

Acredito que a Ilha do Marajó é um destino para aventureiros. É possível fazer uma viagem romântica, mas, se você está buscando conforto e infraestrutura com @ namorad@, não vá para lá para curtir a dois. Para nós deu certo, pois nenhum dos dois tem muita frescura. Mas passamos por perrengues que poderiam ser evitados em outros destinos.

Soure e Salvaterra, os principais municípios do Marajó, são precários na educação, saúde, mercado de trabalho e na prestação de serviços. Para quem quer conhecer esse Brasilzão e não tem medo de pôr o pé na lama (literalmente), é um destino que super recomendo. 😉

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10 comentários sobre “Ilha do Marajó

  1. Nossa, hoje mesmo saiu uma materia no estadão sobre o queijo de Marajó, falando sobre a força do bufalo, vou guardar para qdo vc voltar. Fala da balsa a Salvaterra e do trajeto por terra ate Soure.
    Incrível que no mesmo dia li duas matérias sobre lugares que em 60 anos nunca tinha ouvido falar…Soure e Salvaterra, a sua e a do jornal. Que legal…super esclarecedora e simpatica sua materia , eu so não sei se me daria bem com pé na lama …..Parabéns. bjs

  2. Fabi vc esqueceu de relatar que ao chegarmos a praia de Barra Velha, perguntei a Dona Ana onde poderia lavar as mãos antes de comer e para minha surpresa ela trouxe uma bacia de água e detergente, já que não há água encanada naquela região da praia. Nunca vou esquecer esse primeiro choque de realidade em nesta linda praia Soure.
    Bom texto !

  3. A Fernanda tem razão. Seu texto gostoso faz a gente viajar com você.
    Legal, Fabi! Gostei desse seu lado aventureira. Mande isso para o Fernando também.
    Beijo!
    Gilberto

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